Combat Arms foi um dos FPS mais marcantes da era das lan houses brasileiras.
O jogo se tornou símbolo de corujões, clãs competitivos, guerras entre amigos e madrugadas inteiras tentando subir patente.
Mas ao mesmo tempo em que conquistou milhões de jogadores, também ficou conhecido por hacks, decisões predatórias e problemas de administração que acabaram destruindo boa parte da comunidade.
Combat Arms foi desenvolvido pela Doobic Game Studio e publicado pela Nexon, uma das maiores empresas de jogos online da Coreia do Sul.
Muito antes de Combat Arms existir, a Nexon já era considerada pioneira no mercado de MMORPGs online.
A empresa publicou jogos extremamente importantes para a indústria, incluindo:
• The Kingdom of the Winds (1996)
• Dark Ages (1998)
• MapleStory
Na época em que internet rápida ainda era luxo e computadores gamers eram raros, a Nexon já apostava fortemente em jogos multiplayer online.
Em 2008, a empresa decidiu entrar na disputa dos jogos FPS online.
O sucesso absurdo de Counter-Strike 1.6 havia mostrado que existia um enorme mercado para shooters competitivos.
Foi então que nasceu Combat Arms.
O jogo utilizava a engine Lithtech Jupiter, a mesma usada em títulos como F.E.A.R.
Além de relativamente bonita para a época, a engine também era extremamente leve para computadores mais simples.
Isso ajudou muito o jogo a explodir nas lan houses ao redor do mundo.
Combat Arms chegou oficialmente ao Brasil em 2010 através da publisher Level Up.
A empresa fez um trabalho extremamente forte de divulgação do jogo.
Combat Arms apareceu em:
• Revistas de jogos
• Eventos como BGS e Anime Friends
• CDs de instalação da Level Up
• Propagandas online
O resultado foi imediato.
O jogo rapidamente começou a competir diretamente com títulos como CrossFire e Point Blank.
Combat Arms ficou extremamente popular por oferecer uma enorme quantidade de conteúdo.
O sistema de patentes era um dos maiores incentivos do jogo.
Os jogadores podiam evoluir até General, algo que exigia milhões de pontos de experiência.
Além disso, o jogo tinha:
• Sistema de clãs
• Combat Wars (CW)
• Mapas extremamente variados
• Centenas de armas
• Modificação de equipamentos
• Personagens customizáveis
As armas também podiam receber miras, silenciadores, acessórios e skins extremamente chamativas.
Combat Arms oferecia uma variedade absurda de modos de jogo.
Entre os mais famosos estavam:
• Procurar e Destruir
• Mata-Mata
• Fireteam
• Escolta Armada
• Elimination Pro
Mas nenhum deles foi tão popular quanto o lendário modo Quarentena.
Nesse modo, os jogadores precisavam sobreviver contra infectados enquanto o mapa virava um verdadeiro caos.
Também existiam salas personalizadas criadas pela própria comunidade:
• Só faca
• Só granada
• Só pistola
• Só lança-foguete
Em 2011, o Combat Arms Brasil alcançou mais de 21 mil jogadores simultâneos.
Mas pouco tempo depois começaram os problemas.
A Doobic Studio declarou falência em 2013, fazendo a Nexon assumir completamente os direitos do jogo.
Foi nesse momento que as microtransações começaram a sair do controle.
Armas premium passaram a causar mais dano, dar mais velocidade e oferecer vantagens absurdas.
A diferença entre jogadores gratuitos e usuários que gastavam dinheiro começou a ficar gigantesca.
Outro problema gigantesco foi a epidemia de hackers.
Cheats famosos começaram a dominar praticamente todas as salas:
• Wallhack
• Speed Hack
• No Recoil
• Ghost Mode
• Aimbot
Ao mesmo tempo, o jogo lançou os chamados Especialistas, personagens com habilidades exclusivas como:
• Miniguns
• Minas terrestres
• Torres automáticas
• Kits médicos
Boa parte da comunidade passou a considerar o jogo completamente desbalanceado.
Em 2017, a Nexon vendeu os direitos de Combat Arms para a Valofe.
A empresa era conhecida por administrar jogos online antigos e tentar mantê-los vivos através de relançamentos.
Em 2018 surgiu Combat Arms Reloaded, trazendo gráficos melhores e sistemas atualizados.
Depois, em 2020, lançaram Combat Arms Classic, tentando recuperar a nostalgia da versão original.
Entretanto, os problemas de hacks e monetização continuaram existindo.
Atualmente, Combat Arms possui servidores praticamente vazios.
A comunidade ainda reclama constantemente da presença de hackers e da falta de suporte eficiente.
Mesmo assim, muitos jogadores continuam lembrando do jogo com carinho por causa das experiências vividas nas lan houses e nos tempos de ouro do FPS online.
Para muita gente, Combat Arms foi mais do que um jogo de tiro: foi uma das maiores febres da internet brasileira nos anos 2000.